Revista Terapia Holística

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Ortomolecular: Revisão Geral

Renascimento da Ortomolecular - Arte Digital: Henrique Vieira Filho

Recentemente, o programa dominical Fantástico desfechou uma reportagem apontando inúmeras falhas de profissionais, médicos e não-médicos, quanto à prática da Terapia Ortomolecular.

Recentemente, o programa dominical Fantástico desfechou uma reportagem apontando inúmeras falhas de profissionais, médicos e não-médicos, quanto à prática da Terapia Ortomolecular. Caso não tenha visto, Clique Aqui Para Assistir !

O "gancho" para esta pauta foi a recente Resolução do Conselho Federal de Medicina, a qual definiu e restringiu um pouco mais, a prática desta técnica por parte dos médicos. 

Na verdade, em nada modifica, só confirma aquilo que já está estabelecido como consenso na área de saúde. 

Todas as orientações anteriormente expedidas pelo SINTE continuam atualizadas e adequadas.

Outrossim, a seguir, reforçaremos o tópicos mais polêmicos, destacando orientações chaves para que nossos filiados trabalhem de forma ética e dentro dos ditames da legislação e jurisprudência.

Diagnóstico e tratamento de DOENÇAS é monopólio médico. Assim sendo, SE um profissional "não-médico", para decidir os procedimentos terapêuticos, precisar deste tipo de informação, automaticamente estaria cometendo crime de exercício ilegal de medicina. Este raciocínio vale para todas as técnicas, seja para escolha de, por exemplos, produtos ortomoleculares, fitoterápicos, pontos de acupuntura, etc, etc.

Já um TERAPEUTA HOLÍSTICO faz sua avaliação via quadro "energético" e emocional, seja pela pulso chinês, pulsologia de Nogier, testes musculares, radiestesia, o-ring test, classificação de biotipo e similares, decidindo assim a terapêutica, a qual, se envolver o consumo de PRODUTOS, necessariamente terão que ser de venda LIVRE (sem necessidade de receita médica e sem necessidade de manipulação, já sendo encontrado no mercado pronto para uso e oriundo de empresa legalmente constituída e com os devido registros ministeriais).

Ainda que inexista legislação clara a respeito, a prática consagrada é que tudo que precise de MANIPULAÇÃO, de FORMULAÇÃO, é monopólio MÉDICO. Exceto, é claro, as essências florais, as quais, justamente por serem proibidas aos médicos, tornaram-se livres para os Terapeutas Holísticos.

A reportagem referida também ratificou outro tópico sempre alertado pelo SINTE: jamais vender produtos que recomenda, nem sequer estabelecer-se vinculado ao local que comercializa. Além de evidentemente antiético ("empurroterapia"), é interpretado pela maioria dos juristas como ILEGAL, aplicando-se o mesmo princípio da legislação que proíbe médicos de vincularem-se com a venda de medicamentos. É um conflito de interesses irreconciliável, além de ser um péssimo marketing, pois a venda "casada" ao atendimento, de pronto causaria desconfiança na Clientela potencial, automaticamente afastando pessoas esclarecidas.

Por sinal, boa parte da antipatia que existe em relação à Ortomolecular deriva das propagandas de ética duvidosa, prometendo resultados miraculosos.

Outro "calcanhar de Aquiles" desta técnica é apresentar-se como "científica". Ora, a dita "ciência" nunca foi "amiga" de nossa profissão e é perda de tempo tentar buscar seu apoio. Assim sendo, qualquer Cliente potencial, ou jornalistas que consultarem os organismos científicos OFICIAIS (universidades, centros de pesquisas consagrados mundialmente...), todos são unânimes em afirmar que não existe sentido nos assim chamados "exame de fio de cabelo" e da "gota de sangue"... Desta forma, todos os profissionais que se apoiavam nestes "exames", tem sua credibilidade indo por água abaixo, perante qualquer pessoa bem informada via mídia.

Fora que, pela legislação brasileira, qualquer procedimento que envolva "sangue", obrigatoriamente terá que ter um médico responsável.

Historicamente, no Brasil, a Ortomolecular chegou de "carona" em outras técnicas e depois, tomou rumos equivocados que bem explicam este momento delicado pelo qual passa. 

Nos anos 80, início dos 90, os profissionais de nossa área viam com simpatia a prática da OLIGOTERAPIA, de origem francesa, que propunha o balanceamento de certos componentes primordiais tidos como necessários ao nosso organismo, que são os chamados oligoelementos (como selênio, fósforo, manganês, zinco, ferro e cobre).

Tais substâncias são encontradas naturalmente em nosso organismo, adquiridas via boa alimentação, atuando como catalisadoras das mais diversas funções. A falta destas, ou a "desativação" das mesmas abriria caminho para desequilíbrios físico-psíquicos. 

Nos anos 30, Jacques Ménetrier, tido como "pai" da técnica, desenvolveu uma forma de terapia em que, baseando-se em determinados sintomas e numa tabela de predisposição que classifica os Clientes em cinco biotipos (Diáteses de Ménetrier, que coincidem com as classificações dos Cinco Movimentos Chineses, da Terapia Tradicional Chinesa...), definindo-se assim, quais oligoelementos seriam utilizados para equilibrar o indivíduo.  Tais produtos eram encontrados na forma de venda livre, SEM necessidade de manipulação, já que sua composição era definida nos próprios fabricantes e disponibilizado já pronto para consumo.

Eis agora um tópico diferenciador entre esta linha de origem francesa e a escola americana: os produtos da oligoterapia consistiam em "micro-doses" destes minerais, atuando como um facilitador da absorção e ativação dos mesmos, que já estariam disponíveis na alimentação do Cliente, só que antes, sem o devido aproveitamento. Já o raciocínio originado nos EUA tem a pretensão de REPOR tudo aquilo que deveria ser assimilado nas refeições, suplementando-as... Em suma, uma técnica utiliza "micro-doses" e a outra, "macro-doses". 

Tal qual aconteceu na eterna discussão de homeopatia X alopatia, as indústrias interessaram-se pela corrente que privilegia a QUANTIDADE, pois implica em produtos com preços bem mais atraentes (para quem fabrica, não para quem consome...) e viáveis economicamente.

O Brasil sempre sofreu forte influência americana, o que culminou em seduzir os profissionais pré-holísticos, que se denominavam equivocadamente (do ponto de vista jurídico...) de "naturopatas" (naturo = natural, patia = doença, => doença natural...), já que se até no nome, se indentificavam como o termo "doença", implica em confissão de culpa de crime de exercício ilegal de medicina... 

Autocrítica necessária, o fato é que por algum tempo esqueceram da proposta de serem "naturais" e passaram a indicar produtos "artificialmente" concebidos em laboratórios, tais como compostos vitamínicos, de sais minerais e similares... Nas décadas de 70 e 80, tais produtos eram raros no Brasil, e os profissionais que trabalhavam nesta linha acabam importando ou trazendo em suas viagens ao exterior, gerando aí o comércio vinculado a consultórios, não raro, a preços majorados, sob a justificativa questionável de custeio da viagem e dos aperfeiçoamentos. Daí originou a "aura" de suspeição e o péssimo hábito que ainda assombra a área, criando-se a imagem de "empurroterapia" que se até hoje ainda persegue esta técnica.

Quanto finalmente estes produtos passaram a ser encontrados em praticamente qualquer praça (farmácias, drogarias, casas de produtos "naturais", academias, restaurantes...), os colegas que trabalhavam nesta linha simplesmente perderam mercado e, o que é muito pior, a credibilidade, o que retirou a grande maioria do mercado de trabalho.

Na década de 90, por iniciativa de origem indeterminada, a boa e velha "naturopatia" ressurge com outra "roupagem" e nova nomenclatura:ORTOMOLECULAR  e, como tudo que parece ser novidade (ainda que não o seja...), rapidamente é objeto de reportagens e com igual velocidade ganha a adesão de "celebridades".  

Tal qual acontecia com a acupuntura, a fitoterapia e similares, não encontrou acolhida entre os médicos, que a incluíram no rol das práticas proibidas a eles, por ser considerada não-científica. Assim sendo, o mercado de cursos, livros e produtos voltou-se para a NOSSA profissão, e, infelizmente, ao invés de incorporar a filosofia "alternativa", tentou inculcar a postura médica, importando desta, o linguajar, a discutível necessidade de "exames" e a vinculação com "doenças"... Ou seja, ensinavam os profissionais a inadvertidamente caminharem para serem acusados de exercício ilegal de medicina... E, para complicar ainda mais, ressurge a aura de "empurroterapia", com a venda de produtos casada com atendimentos, tendo sendo esta a principal causa de PRISÕES em nossa profissão. 

A publicidade em torna da técnica atraiu o interesse financeiro até de instituições comerciais de ensino, que rapidamente colocaram no mercado cursos supostamente "superiores", induzindo ainda mais a técnica a que se autojustificasse emprestando para si um questionável e desnecessário caráter "científico", parecendo esquecer que a Ciência sempre a escurrassou de seus meios.  

Virou motivo de piada nos meios acadêmicos ao tentar se embasar em "exames" como os do fio de cabelo, que até se prestam para investigar intoxicações, mas não para as finalidades descritas na Ortomolecular, ou até aos absurdos de alegar enxergar em microscópios de consultório, fenômenos que ocorrem em nível subatômico, ou seja, impossíveis de serem vistos por estes singelos instrumentos. 

Muitos profissionais deixaram-se seduzir pelo canto da sereia e naufragaram a técnica indo de encontro aos rochedos da dita ciência "oficial", que ingenuamente suponham como aliada, o mesmo ocorrendo com a mídia: tenham certeza que os mesmos veículos que antes elogiavam, agora tenderão a jogar pedras, pois esta é a "novidade" da vez. E, até mesmo as corporações que sempre "torceram o nariz" para a Ortomolecular, pressionados com a desvalorização salarial de seus representados, passou a cobiçar TODAS as técnicas e, igual ao ocorrido com a Acupuntura e aFitoterapia, passaram a permitir que os médicos, antes proibidos, exerçam a Terapia Ortomolecular, ainda que de forma bastante restrita. 

É preciso que façamos o MEA CULPA e reciclemos o modo de trabalhar. Ora, nossa profissão nunca precisou de "exames" para decidirmos pela terapia adequada. Quem necessita saber o nome da "doença" para poder trabalhar é o médico, não o Terapeuta Holístico; não nos compete essa abordagem ! Também sempre encontramos recursos na natureza, via alimentos, via fitoterápicos; nunca dependemos de produtos artificiais para despertamos os recursos de autoequilíbrio em nossos Clientes.

Também é inadmissível, em pleno século 21, agregar venda de produtos com atendimento: é antiético, ilegal e imoral. Nem mesmo do ponto de vista meramente financeiro tem sentido, pois o que se "lucraria" com o comércio, rapidamente seria consumido com a perda de Clientes (é questão de tempo para que as pessoas suspeitem de "empurroterapia"...) e com o que terá que gastar com advogados e os prejuízos com processos e lacramento de consultórios (também é questão de tempo serem denunciados à vigilância sanitária, que jamais perdoa este tipo de comportamento mercantilista casado a terapia de qualquer espécie).

Já faz muitos anos que o SINTE - SINDICATO DOS TERAPEUTAS alerta contra estes riscos e orientamos com Pareceres e NTSV - Normas Técnicas Setoriais Voluntárias da Terapia Holística, quanto ao modo de atender adequando-se à legislação, à jurisprudência e ao bom marketing profissional, inclusive com vários tópicos específicos para a Ortomolecular. 

Tudo isso disponível aos filiados, tanto no livro Tutorial Terapia Holística, quanto em www.sinte.com.br e até mesmo, especialmente desenvolvidos para cada caso, mediante consultas exclusivas para nossos associados em dia com suas obrigações estatutárias.

Em suma, era previsível e até benéfico que a Ortomolecular leve, agora, este "tapa na cara" originado na mesma mídia que até a pouco lhe aplaudia.  

Como toda crise, é uma excelente OPORTUNIDADE para nossos colegas relembrarem e re-estuderem todas as orientações que o SINTE desenvolveu e que aproveitem o "susto" para SEGUIR AS REGRAS. 

Afinal, elas são frutos da sabedoria coletiva, da análise de centenas de casos jurídicos por todo o Brasil, sintetizados pelo SINTE em Normas básicas, de fácil entendimento e rápida implantação em nossos consultórios. 

SINTE já há 18 anos faz a sua parte; é chegada a hora dos profissionais aderirem e igualmente fazerem a sua, pois, desta UNIÃO, a técnica renascerá ainda melhor, nem que seja, de novo, com outra "roupagem" e nomenclatura, finalmente integrando-se à sua VERDADEIRA vocação como TERAPIA HOLÍSTICA.

Henrique Vieira Filho - Terapeuta Holístico - CRT 21001Henrique Vieira Filho - Terapeuta Holístico - CRT 21001, é autor de diversos livros da profissão, ministra aulas na CEATH - Comunidade de Estudos Avançados em Terapia Holística.  contato@sinte.com.br (11) 3171-1913

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